Quarta-feira, Março 02, 2011

O PECADO (Gn 2,15-17;3,1-19)

Ou se dá crédito de maneira total à Sagrada Escritura, ou não se dá. Neste caso deixa de existir o “em cima do muro”; ou se é católico, ou não se é. Não existe católico-maçon, ele é maçon; não existe a teoria de Alziro Zarur - o criador da LBV - do tal “espiritismo cristão, conheça esta idéia”. Uma pessoa nestas condições não é católica, é espírita; não existe católico-umbandista, ele é umbandista. Não existe católico que de manhãzinha está na missa, e mal toma o café apodera-se da página do jornal onde se encontra o horóscopo, e se rege por ele. Não se pode dizer católico quem se deixa guiar por gurus, pais de santo, bruxos, magos, tarôs, búzios, e outras besteiradas afins. Falo em CATÓLICO porque o sou, graças a Deus, e amo a minha Igreja. Mas issi vale para qualquer CRISTÃO. Falo no sentido de não existir, sabendo que existe, para dar uma ênfase maior ao pensamento. E a esse respeito, Jesus tem palavras duríssimas para quem age desta maneira: “Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te”. (Ap 3,15-16) Promessa que nos deixa arrepiados!

Faz-se necessário que sejamos ousados e falemos abertamente, sem temor e sem tremer, da existência do pecado. O PECADO EXISTE. Algumas seitas pés de chinelo e outras filosofias orientais, juntamente com esta mídia impregnada de “ganga impura” e cascalhos, imoral, amoral e aética, apregoa aos quatro cantos que isto é cafonice, é ultrapassado, é coisa da Igreja, que estamos em uma nova era - a era de aquarius, que o tempo de Jesus passou... Uma série de babozeiras sem a mínima fundamentação teológica. Com isto arrasta multidões... de fantoches e marionetes manipulados, que seguem rigorosamente a letrinha sem conteúdo da musiqueta “aonde a vaca vai, o boi vai atrás”. O PECADO EXISTE.

Se pensamos não ter pecado, nós o declaramos mentiroso e a sua palavra não está em nós. (1Jo 1,10) Acreditamos ou não na Palavra de Deus? Confiamos na mídia ou em Jesus? “Confiar ou não confiar: eis a questão”. Vale a pena seguir? Ou paro por aqui? Independentemente da resposta, nunca fui homem para ficar no meio do caminho. Prossigo.

Qual a causa do pecado? O mau uso da liberdade humana. A Bíblia, no capítulo 3 do livro de Gênesis, nos apresenta de maneira metafórica, a entrada do pecado no mundo. É claro que na visão do hagiógrafo javista, não poderia ter sido apresentado de outra forma. O fundamento é que Deus submete o casal a uma prova. Após receberem todos os atributos gratuitamente das mãos generosas do Criador (inteligência, liberdade, vontade, capacidade de amar, de escolher...), Ele quis saber se eles permaneceriam fiéis ou não. O teste foi a imposição de um determinado limite até onde poderiam ir. Estaria em jogo o livre arbítrio - único atributo que Deus não pode tocar. Eu escrevi não pode. E não pode mesmo, por um motivo muito simples: seríamos fantoches e marionetes em suas mãos. E quem nos criou por amor, não nos pode prender, nem manipular. Infelizmente foram reprovados. Ouviram a voz do demônio, deixando de cumprir o preceito que o Senhor os havia dado. Afastaram-se de Deus.

Em que consiste o pecado senão no afastamento de Deus? O Ser Humano (homem e mulher), afastando-se do seu Criador, romperam os vínculos de intimidade, expressos de maneira poética e sublimizada pelo Escritor Sagrado, através destas palavras: “E eis que ouviram o barulho (dos passos) do Senhor Deus que passeava no jardim, à hora da brisa da tarde”. (Gn 3,8) A intimidade era tanta que eles podiam ouvir os passos do seu Senhor. E mesmo assim, caíram. Afastaram-se de Deus; mas o mais maravilhoso e encantador, é que o Senhor não se afastou deles e muito menos de nós. Não os deixou caídos no chão, arrastando-se pela vida. Com a promessa Messiânica contida neste versículo, a aliança rompida seria refeita para sempre: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Ela te esmagará a cabeça e tu a ferirás o calcanhar”. (Gn 3,15)

Séculos e mais séculos se passaram para que esta promessa tivesse seu cumprimento realizado. Estes milênios foram reduzidos a quatro semanas, uma espera bem menor. É tempo do Advento, de conversão, de mudança de vida e de direção. A Igreja, sabiamente guiada pelo Espírito que dá a vida, quer que neste tempo “tenhamos vida, e vida em plenitude. Dentro de poucos dias celebraremos o evento relatado por São Paulo, na Carta aos Gálatas: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher”. E certamente Jesus não irá nascer em Belém. Belém, na noite de Natal, será cada um de nós que tiver preparado a manjedoura do seu coração para receber o Senhor, envolvido não mais em faixas, mas no nosso perdão, na nossa partilha, na nossa reciprocidade, na nossa humildade, na nossa capacidade de Amar. E aí, de coração reconciliado com Deus, conosco mesmo, com os irmãos e com a natureza, pelo Sacramento da Reconciliação e do Perdão, exultaremos desta alegria contagiante e com os anjos cantaremos: “GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS, E PAZ NA TERRA AOS HOMENS POR ELE AMADOS”. E a Aliança estará restabelecida. No tempo da Páscoa, então, “tomará sobre si os nossos pecados e as nossas enfermidades”, fazendo-se pecado por nós, morrendo e Ressuscitando, tornando-se Vencedor do mal e da morte; porque nós não nascemos para morrer, morremos para ressuscitar.


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