sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O CÂNTARO (Jo 4,1-30)

O sol queima. A claridade ofusca. O deserto geme. O suor goteja. A boca resseca. O cansaço abate... E os passos de Jesus se perdem na areia escaldante do deserto da Judéia. Não era o caminho habitual, mas era o caminho do Encontro. Caminho de conversão.


Sob o mesmo sol, uma mulher aproxima-se do poço. As cordas, o balde, a roldana e o cântaro, denunciam a sua intenção premente.. É samaritana. Prostituída. Renegada.


"Dá-me de beber" (Jo 4,7). É o início de um diálogo maravilhoso, onde se alternam harmoniosamente, a fala e a escuta. À resposta da mulher, a promessa de Jesus: "Se me pedisses de beber, eu te daria uma água viva" (Jo 4,10). Em seguida, a característica daquela água que revolucionaria o seu coração: "Quem beber da água que eu lhe der, jamais terá sede" (Jo 4,14). A mulher pára. Atônita. Não acredita no que ouve. Que solução para a sua comodidade! Menos passos nos seus descaminhos.


A conversa prossegue e toma um novo rumo. Ela aprende que Deus pode ser adorado em qualquer lugar, e não só no Templo. Ele não se restringe a espaço e tempo. É Espírito. É Infinito. É Eterno. E em espírito deve ser adorado.

Silêncio... Silêncio... Silêncio... Finalmente a observação: "Sei que deve vir o Messias e ele nos fará conhecer todas as coisas" (Jo 4,25). O olhar de Jesus encontra os olhos daquela mulher. Olhar que acolhe. Olhar que perdoa. Olhar que respeita. Olhar que ama. E em meio à densidade do momento, a revelação final: "O Messias sou eu que falo contigo" (Jo 4,26).


"A mulher deixou o seu cântaro..." (Jo 4,28).


Quando se encontra Jesus, as cordas, o balde, a roldana e o cântaro não perdem o sentido, apenas assumem posição secundária. E aí, o Essencial faz-se essencial. Só então seremos capazes de compreender que o deserto reveste-se de encanto quando, à beira de um poço, Jesus nos dá de beber a Água da Vida.