
A crueldade de Herodes não admitia concorrência. Ambicioso e soberbo, jamais passou pela sua cabeça e o seu coração, a existência de um rei na Judéia, afora ele, principalmente se este rei fosse uma criança. Para evitar preocupações presentes e futuras, ordenou a matança de todas as crianças do sexo masculino, abaixo de dois anos de idade.
O menino Jesus contava nesta época com pouco mais de um ano de idade. Mora
A família de Nazaré, por enquanto, ainda é a família Belemita. José, como provedor e pai, trabalha em serviços avulsos para o sustento dos três. Maria, dona de casa, executa as tarefas domésticas, e cuida do menino. É a esposa e a mãe.
Em uma noite, José é avisado em sonho por um anjo de que deve fugir para o Egito, porque Herodes quer matar o menino. Levanta-se no meio da noite, toma Maria e o menino, e foge para a terra do exílio. Agora não passam de uma família exilada, sem parentes, sem teto, sem trabalho, sem nome, sem voz, sem vez, ouvindo uma língua totalmente estranha... Estrangeiros de Deus, mas não exilados da fé.
A hora do retorno é chegada. Herodes - o tirânico e cruel - já não mais vive. Os preparativos para a viagem são rápidos. A exultação é incontida. Naquele momento, somente um salmo tomou conta dos seus lábios e de suas almas. Não poderia ser outro. Maria e José oram com o Salmo 125: “Sim, o Senhor fez por nós grandes coisas; ficamos exultantes de alegria! Os que semeiam entre lágrimas, recolherão com alegria. Na ida, caminham chorando, os que levam a semente a espargir. Na volta, virão com alegria, quando trouxerem os seus feixes”.
Nas proximidades da Judéia, e tendo sabido que Arquelau reinava, José muda de direção e parte para a Galiléia, fixando residência
Antonio Luiz Macêdo
